domingo, setembro 14, 2008

A "Pintura de Guerra" dos Crowes


Após um grande hiato na carreira, os Black Crowes voltam ao cenário musical com o bom Warpaint (já nas lojas no exterior ou especializadas no Brasil em discos importados). Mas os irmãos Robinson parecem um pouco cansados na trajetória pouco linear do grupo, contando ainda com Steve Gorman na bateria, este que, além da dupla que comanda a banda, é ó único remanescente do estrondoso “Shake Your Money Maker”(1990). Soam mais cadenciados, como um time de futebol de veteranos que toca a bola sem pressa de fazer o gol. A ótima e primeira faixa "Goodbye Daughters of the Revolution” já vinha tocando nas rádios, trazendo referências do belo “Amorica”, seguido do blues arrastado e mediano “Walk Believer Walk”. “Oh Josephine” é uma grande balada, com boa interpretação do vocalista Chris Robinson, que não se arrisca mais tanto na voz como fazia na época áurea do insuperável “The Southern Harmony e Musical Companion”, em clássicos como “Sometimes Salvation” e “Thorn In My Pride”. Destaque ainda para os poderosos solos de guitarra em “Evergreen” e os riffs de “Wee Who See the Deep”. O trabalho ainda conta dois destaques (“God’s Got It”, faixa mais dançante e “There’s Gold in Them Hills, que acalma logo em seguida). E como um time de veteranos se despede com “Whoa Mule”, parecendo não importar mais o resultado do jogo, trazendo apenas a lembrança de um tempo distante, quando o conjunto fazia um rock n’ roll intenso, jogando sempre no ataque e deixando na rede mais gols para os fãs vibrarem...