
Última Parada 174 é um filmaço. É um retrato do descaso social, da maldade humana, do despreparo das instituições públicas, da falta de vontade política, da corrupção. É uma radiografia de todos nós, que carregamos o peso da falta de preocupação vivendo em nossos mundinhos sem olharmos para o lado (ou para o alto em direção às favelas). Bruno Barreto fez uma das melhores obras cinematográficas do país dos últimos tempos, apostando em atores menos conhecidos e injetando conteúdo, com um gosto amargo que sutilmente vai invadindo nossas entranhas até nos sentirmos culpados por todas as desgraças que tem assolado nossa sociedade. A versão ficcional, baseada em fatos verídicos da vida de Sandro, lembrado como o “monstro” que seqüestrou um ônibus no Jardim Botânico, traz o ótimo Michel Gomes no papel do protagonista. Quando garoto, viu a mãe morrer esfaqueada. Preterido pelo restante da família, cresceu entre pequenos marginais no Centro do Rio, cometendo pequenos delitos, sobrevivendo à uma chacina, renegando a ajuda de assistentes sociais, freqüentando reformatórios. Uma criança sem qualquer acompanhamento psicológico, espiritual, sem aparato governamental. É claro que aconteceria uma tragédia, cedo ou tarde, como acontece rotineiramente no estado do Rio de Janeiro e no restante do Brasil. O seqüestro e a tragédia que se seguiu foi o desfecho final, fruto da burrice estatal e do desespero de um adolescente mal-educado, com sérios distúrbios psiquiátricos, que não justifica sua atitude, mas explica. O filme ainda conta com a participação de André Ramiro (o Mathias de Tropa de Elite), interpretando o capitão de polícia que comandou a desastrosa atuação da polícia militar no evento que foi notícia no mundo inteiro. Assim como o capitão, o ator não teve muito o que fazer em cena. Apenas aguardou o pior, como todos nós, e lamentou.
TAMBÉM ASSISTI ESSE FILME. MTO BOM!!
ResponderExcluirRECOMENDO.